Volta da alegria nos palcos. Artistas de circo se preparam para volta das apresentações após mais de 1 ano de proibições no DF

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Por Marília Marques, G1 DF

 

Adaptações: Alexandre Torres

Guará News

Malabarista ensaia no palco do Circo Real Português, em Taguatinga, no DF — Foto: Juliana Portugal/Arquivo pessoal

Malabarista ensaia no palco do Circo Real Português, em Taguatinga, no DF — Foto: Juliana Portugal/Arquivo pessoal

Impedidos de se apresentar desde março do ano passado, devido à pandemia de Covid-19artistas de circo se preparam para voltar às atividades no Distrito Federal. A sensação é de “frio na barriga”, contam, misturada com a preocupação em seguir os protocolos sanitários obrigatórios para receber o “respeitável público”.

decreto que autoriza a retomada das apresentações foi publicado no Diário Oficial (DODF) do dia 3 de maio. Na última semana, grupos de circo foram incluídos na categoria de Entes e Agentes Culturais (Ceac). Na prática, as trupes passam a ter direito de concorrer aos editais do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF) e da Lei de Incentivo à Cultura (LIC).

Em Taguatinga, 28 artistas do Circo Real Português já retomaram os ensaios e a primeira apresentação presencial está marcada para sexta-feira (14). Para manter o distanciamento, a capacidade do espaço será reduzida de 600 para 150 pessoas.

A acróbata e bailarina do grupo, Juliana Portugal, contou que, durante o período de restrições, os artistas viveram de doações e precisaram inovar no negócio para manter a renda da família.

“Foi um momento de muitas dificuldades. Vivemos de alimentos, frutas e verduras que a população doava pra gente. Ficamos sem trabalhar e sem previsão de quando abriríamos”, diz a artista.”

No auge da pandemia, as mãos já acostumadas a “fazer malabarismos” se adaptaram às necessidades impostas. Com o circo fechado, os artistas passaram a vender algodão doce, maçã do amor e máscaras pelas ruas da capital.

Quando as sessões drive-in foram autorizadas, o circo aderiu à modalidade e também realizou apresentações online. “Nesse um ano ensaiamos para sempre manter o preparo do corpo. Se ficarem parados, trapezistas não conseguem voltar, então, fazíamos exercícios e alongamentos. Foram as maneiras que conseguimos de não pirar sem trabalho”, conta Juliana.

“Nosso circo sempre permaneceu montado, na esperança de, a cada dia, voltar. Acreditamos que enquanto a lona estiver montada, haverá circo. Foi o que motivou os artistas a continuarem”, diz Juliana.

 

Circo Real Português, em Taguatinga, no DF — Foto: Secretaria de Cultura/Divulgação

Circo Real Português, em Taguatinga, no DF — Foto: Secretaria de Cultura/Divulgação

Sem renda

 

Por outro lado, no Guará, o circo Vitória não conseguiu manter o mesmo otimismo. Este ano, os artistas decidiram desmontar a estrutura.

Em meio às dificuldades financeiras – já que a renda do grupo dependia exclusivamente da venda de ingressos – mágicos, palhaços e trapezistas trocaram o ofício por “bicos” nas ruas do DF e passaram a fabricar máscaras e a trabalhar como soldadores e em lava-jatos.

“No segundo mês [de restrições] foi batendo o desespero”, contou a locutora do circo, Michelle Mocellin, de 39 anos. Ela também é filha dos donos do circo Vitória e, à época, mantinha o próprio negócio, outro circo, que precisou encerrar as atividades e não tem previsão de retorno.

Artista se apresenta no circo Vitória, no Guará, em imagem de arquivo — Foto: Arquivo pessoal

Artista se apresenta no circo Vitória, no Guará, em imagem de arquivo — Foto: Arquivo pessoal

Mas a solidariedade dos moradores do Guará deu esperança aos artistas. “O circo vive exclusivamente da bilheteria. Tínhamos dívidas a pagar, então, nossa preocupação era essa. Mas graças à população, que abraçou o circo de uma maneira inesperada, através de doação de alimentos, campanhas do agasalho, conseguimos nos manter“.

Apesar da autorização para retomar as apresentações, o circo Vitória ainda não tem data para reabrir. Os 24 artistas, que estão há sete anos no DF, preparam a documentação para ser entregue à Administração do Guará, o que possibilita a vistoria técnica até chegar o momento de poder levantar a estrutura do espaço, que estava desmontada.

“Fomos pegos de surpresa”, conta Michelle.

 

Assim que for reaberto, o circo, considerado de pequeno porte, com capacidade para 300 pessoas, deve receber apenas 100 visitantes por dia. A administração do espaço deverá garantir o distanciamento social entre o público e pontos de álcool em gel espalhados pelo local.

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