Promotores de eventos contestam decreto e vão fazer carnaval no DF

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Multa de, no mínimo, R$ 20 mil não assusta produtores que querem pular Carnaval, mesmo em plena pandemia

atualizado 12/02/2021 21:17

Festa Clandestina da Raica
Reprodução/Instagram
Mesmo com o GDF estabelecendo multa mínima de R$ 20 mil para quem realizar eventos de Carnaval durante o feriado, algumas festas clandestinas ainda têm sido marcadas nas redes sociais. Mais do que ignorarem a fiscalização, essas comemorações também fazem questão de esquecer da pandemia de Covid-19, que ainda mata, em média, 10 pessoas por dia na capital.

A festa conhecida como Replay da Raica é uma dessas que irá desafiar a saúde e o poder público com dois eventos: Pool da Patroa e Bloquinho da Patroa. O primeiro ocorre entre os dias 14 e 15 e, o segundo, no dia 16.

Com um grande set de DJ’s já confirmado, a festa tem um grande esquema de confidencialidade: o local do evento ainda não foi divulgado e a venda de ingresso, que custa R$ 120, ocorrerá apenas na portaria do local.

Dessa forma, os interessados em participar do grande evento clandestino devem entrar em contato com um dos DJ’s que está organizando grupos e listas pelo WhatsApp. Após informar o nome, a pessoa é informada que receberá a localização no dia do evento.

A rede social da Replay da Raica vinha fazendo ampla divulgação nas redes sociais até quinta-feira (11/2), quando a reportagem entrou em contato com a produtora do evento. Raica Souza informou que, após o decreto do governador, o evento tinha sido cancelado.

Um aviso foi postado e retirado do perfil do Instagram da festa, que logo depois tornou a conta privada. Mesmo assim, a reportagem teve acesso a conversas que confirmam que o evento irá acontecer.

Essa não é a primeira vez que uma festa da Raica ocorre sem autorização. Em dezembro, um evento igual ocorreu e foi denunciado pelo Metrópoles. À época, organizadores debocharam da Covid-19.

Outro que também tem sido organizado às escondidas é o chamado de Gostoso Carnaval. A ideia é que o evento seja mais reservado e chame menos atenção. Conforme diz a própria mensagem que circula entre os convidados da festa, será “um rolê entre amigos”.

O local ainda não foi divulgado, mas a confraternização está marcada para o dia 13 de fevereiro e ocorre a partir das 23h. De acordo com a mensagem, a comemoração só deve acabar às 12h do dia seguinte.

O valor do ingresso antecipado é de R$ 80, mas não é qualquer pessoa que pode participar. Quem entra em contato com o número de telefone disponibilizado na divulgação é questionado como ficou sabendo da festa e qual dos aniversariantes pediu a presença.

No fim do texto, os organizadores são claros: “Não divulgue pelo feed ou stories do Instagram”.

Procurado pela reportagem, o número disponibilizado para contato informou apenas que se trata de uma festa privada para conhecidos e o preço cobrado é uma ajuda de custo.

Vários leitores também denunciaram outras festas que vêm sendo organizadas em bares e restaurantes. Apesar de alguns anúncios incentivarem a aglomeração e até mesmo ofertarem narguilé, que é comumente usado por várias pessoas passando de boca em boca, não há irregularidade antes de a festa começar.

De acordo com a norma vigente no DF, estão liberados shows nestes estabelecimentos, desde que com capacidade limitada a 50% do normal e que as pessoas fiquem sentadas em mesas bem separadas.
Dessa forma, cabe à Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) ir até os locais onde ocorrerão eventos e ver se as regras são respeitadas.

Segundo a pasta, há aproximadamente 50 festas clandestinas marcadas para o Carnaval de 2021. Para fazer a ronda em bares, restaurantes, clubes recreativos e festas clandestinas, a pasta atuará com nove equipes distribuídas das 8h às 3h, entre sexta-feira (12/2) e a próxima quarta-feira (17/2).

“Serão fiscalizados bares, restaurantes e similares para que obedeçam a determinação imposta pelo decreto. O mesmo valerá para os que fomentarem e incentivarem a aglomeração de pessoas, como as festas clandestinas, já que se trata de crime sanitário”, pontuou.

Quem tiver informações sobre eventos sem autorização pode denunciar por meio da Ouvidoria, no número 162, ou pelo telefone 190.

Adaptações: Alexandre Torres

Guará News

 

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