Secretaria da Mulher recebe delegações africanas para discutir proteção feminina

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email

Secretaria da Mulher recebe delegações africanas para discutir proteção feminina

Intercâmbio Brasil-África reuniu diversos países que falam a língua portuguesa

AGÊNCIA BRASÍLIA *
Maioria das mulheres vítimas de violência ainda teme denunciar agressores | Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília

Localizado na Praça dos Três Poderes, o Espaço Israel Pinheiro foi palco de debates, nos dias 2, 3 e 4 de dezembro, sobre a proteção das mulheres nos países lusófonos – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O intercâmbio, promovido pela Secretaria da Mulher do Distrito Federal em parceria com o Banco Mundial, discutiu legislação, autonomia econômica, políticas e iniciativas inovadoras no enfrentamento à violência de gênero, entre outros temas. O objetivo é fomentar troca de conhecimento e boas práticas entre os países sobre a temática do empoderamento feminino e do enfrentamento à violência contra a mulher.

Leia também

GDF propõe ao Planalto penas mais duras contra feminicídio

Vítimas de violência usam a arte para falar sobre o tema

O seminário marcou um momento importante para a capital de todos os brasileiros: o reconhecimento do quão positiva foi a criação da Secretaria da Mulher no início da gestão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

Para a secretária da Mulher, Ericka Filippelli, não existiria a possibilidade da parceria caso a pasta não tivesse em pleno funcionamento e à frente de pautas importantes para as mulheres do Distrito Federal. “Todos os dias mostramos resultados de trabalhos valorosos na Secretaria da Mulher e isso está sendo visto pelo Brasil inteiro. O DF virou uma referência de boas práticas no cuidado com a mulher e na criação de políticas públicas para prevenção e combate à violência”, disse a secretária.

Brasil e África são parceiros em diversas áreas e também sofrem com os mais variados tipos de desigualdade. Na temática do cuidado e proteção à vida das mulheres a situação é bastante parecida, segundo relatos apresentados pelos representantes dos países presentes no encontro, portanto, é importante a troca de experiências na área do empoderamento feminino.

Com representantes do poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de organizações de mulheres e ativistas, o encontro contou com cinco painéis de debate reunindo especialistas em diversos temas. Destaque para a promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Gabriela Manssur; a professora da Universidade de Brasília Cristina Castro-Lucas, idealizadora da plataforma de combate à violência contra a mulher, Eu sou Glória; a Embaixadora da Paz, Maria Paula Fidalgo; e a diretora-geral do Senado Federal, Ilana Trombka.

Representantes do Banco Mundial participaram de todos os dias do evento. Para membros da instituição financeira, o seminário pode ajudar a impulsionar avanços na adoção de iniciativas e melhores políticas públicas envolvendo países participantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“A ideia principal foi mostrar como o Brasil tem avançado, principalmente na área de legislação, com a [Lei] Maria da Penha, mas também iniciativas de implementação, aprender também com os países o que eles estão fazendo, qual é a realidade nos países, e trabalhar conjuntamente como se pode apoiar mutuamente para avançar nesse sentido”, destacou a advogada e especialista-sênior em gênero do Banco Mundial, Paula Tavares.

Mulheres no topo

Alguns assuntos foram bastante discutidos nas mesas de debate. Por exemplo, a importância da autonomia econômica das mulheres em situação de vulnerabilidade e a educação de jovens e adultos por uma sociedade não machista. A secretária da Mulher apresentou algumas iniciativas do governo local que podem interessar à CPLP.

No que se refere à autonomia econômica das mulheres foi apresentada a experiência do Espaço Empreende Mais Mulher, projeto voltado para o empreendedorismo e que também está preparado para acolher mulheres em situação de violência. “As mulheres que buscam esse espaço, em primeiro lugar, vão buscar sua autonomia econômica, sua capacitação, e terão ali um acolhimento psicossocial para que ao mesmo tempo elas possam, diante de uma situação de violência, olhar para o futuro e buscar uma saída para as violências vividas em seus relacionamentos”, informou Ericka Filippelli.

Leia também:
Unindo forças pela proteção da mulher

Na área da educação, uma experiência tem apresentado resultados positivos. É o programa Amor Sem Violência, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação, que visa envolver toda a comunidade escolar na criação de atividades. Ações artísticas e culturais, rodas de conversa, palestras educativas, dinâmicas de grupo, veiculação de vídeos de conscientização e sensibilização e concurso de redação abordam o tema para sensibilizar os 80 mil alunos do ensino médio da rede pública de educação do DF.

As delegações africanas e membros de suas equipes fizeram uma visita técnica à Delegacia da Mulher e ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher para conhecer o trabalho dos dois órgãos públicos do Distrito Federal, iniciativas brasileiras de sucesso no combate à violência de gênero.

Entre os participantes da visita-guiada estiveram a ministra da Família e Inclusão Social de Cabo Verde, Maritza Rosabal; a diretora nacional de Gênero do Ministério do Gênero de Moçambique, Angelina Paulo Lubrino; a chefe do Departamento de Estudo e Pesquisa do Instituto Nacional para Promoção da Igualdade e Equidade de Gênero de São Tomé e Príncipe, Jailça da Silva Lima; o representante do Ministério da Ação Social, Família e Promoção da Mulher de Angola, Almerindo de Sousa Barradas; a presidente do Instituto Mulher e Criança da Guiné-Bissau, Maimuna Sila; a ministra da Justiça de São Tome e Príncipe, Ivete Lima Correia; e o representante da Direção Nacional para os Direitos da Mulher, Igualdade e Equidade de Gênero da Angola, Octavio Pinto Joaquim.

Mãe África

Das experiências africanas, destaque para Guiné-Bissau, que está implementando programas para garantir o cumprimento dos direitos das meninas e mulheres por meio de abordagens transversais. A ação promove a autonomia socioeconômica das mulheres ao mesmo tempo em que tenta melhorar o acesso à denúncia, à proteção e à reinserção das vítimas de violência.

Em Cabo Verde, uma das apostas é a formação de líderes comunitários responsáveis por replicar o apelo à denúncia e a passagem da mensagem de intolerância em relação a esse tipo de crime. Além disso, eles realizam um intenso trabalho com as organizações que combatem a violência de gênero.

Hoje (4), último dia do intercâmbio, foi anunciada uma campanha de troca de cartas entre meninas, todas estudantes, dos países envolvidos no encontro. A ideia das cartas é fazer com que as jovens conheçam realidades, muitas vezes próximas às delas, e fazer com que tenham incentivo para que não aceitem violências impostas pela cultura machista de seus países.

Como parte do intercâmbio, as delegações africanas e as equipes organizadoras também farão uma viagem e visitas técnicas para conhecer iniciativas brasileiras de sucesso no combate à violência de gênero. Alguns exemplos são a Casa da Mulher Brasileira e o Centro de Referência da Mulher em Situação de Violência – Esperança Garcia, em Teresina.

 

* Com informações da Secretaria da Mulher

Adaptações: Alexandre Torres

Guará news

Você também pode querer ler