Picaretagem na bomba! Postos do DF vendem gasolina mais cara para clientes distraídos

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Postos do DF vendem gasolina mais cara para clientes distraídos

Em uma ronda pelos estabelecimentos, temos diversos relatos de consumidores que alegam ter sido enganados nas bombas

falta de atenção dos motoristas na hora de abastecer os veículos tem dado brechas para um possível novo golpe aplicado em postos do Distrito Federal. Denúncias apuradas pelo Metrópoles indicam que frentistas cobram o valor da gasolina aditivada quando, na verdade, o cliente solicita o uso da comum. Foram levantados mais de 20 casos ocorridos em seis postos da capital do país.

A suspeita de que havia pagado um valor alto pelo total de litros abastecidos levou Daniel Pereira a verificar se os números da bomba batiam com o preço anunciado da gasolina comum. A checagem mostrou que o empresário, 37 anos, pagou R$ 4,779 por litro, 50 centavos a mais do que o combustívelsolicitado. “Esse era exatamente o valor da aditivada, que eu não pedi. O frentista disse que era porque passou o valor no crédito, que também não bate. Ele foi pego na mentira e agiu de má-fé”, esbravejou.

Como percebeu que estava sendo lesado, o empresário reclamou e acabou pagando o valor referente ao produto comum, cerca de R$ 10 mais barato. A nota fiscal solicitada não foi entregue. No lugar, deram um comprovante de pagamento contendo apenas o montante pago: R$ 89,54. Não satisfeito, Daniel gravou um vídeo mostrando a situação e o compartilhou em grupos de amigos, como um sinal de alerta. O caso ocorreu no Posto Via Estrutural, no SIA Trecho 1.

A arquiteta Fabíola Lopes, 39, relata uma situação semelhante no mesmo estabelecimento. Ela saía do escritório e estava com uma cliente no carro, quando parou para abastecer. “Ela me contou que não ia mais naquele posto porque haviam colocado gasolina aditivada quando ela pediu comum. Então, fiquei ligada, e não deu outra.”

Quando desceu para reclamar, o frentista a levou até um computador, dizendo que o valor estava certo, e mostrando uma litragem diferente. “Nesse meio-tempo, outro funcionário passou o cartão e apagou o registro da bomba, assim me deixando sem provas. Deu para perceber que era um esquema”, contou.

A reportagem esteve no local e fez um flagrante. Um homem foi abordado pela equipe, que perguntou se ele havia solicitado a gasolina aditivada. Com a negativa, foi informado do equívoco. Questionado, o funcionário do estabelecimento afirmou que, no convênio, a gasolina fornecida era a aditivada. O cliente contestou que sempre colocou a comum, e o funcionário fez uma tréplica: “Nessa bomba aqui, não. Toda a vida foi desse jeito”.

A nota fiscal também não foi emitida, e apenas o comprovante de venda a prazo foi dado ao cliente. “No final das contas, aqui vocês têm é desconto. Pode ficar tranquilo”, disse o atendente. A conversa foi gravada em áudio, e uma foto comprova a marcação da bomba.

“Quando a gente pede a nota fiscal, eles dizem que só pode ser entregue à empresa. Já me desentendi por conta disso uma vez e, como a gente precisa abastecer aqui, não questiono mais, para evitar problema”, contou o cliente, que não quis se identificar. Por telefone, responsáveis da empresa conveniada com o posto afirmaram que não existe impedimento para que os funcionários solicitem as notas fiscais.

Mais casos

Investigações de órgãos que atuam no combate a crimes contra consumidores apontam que recomendações para priorizar a venda de gasolina aditivada e eventuais bonificações aos vendedores e frentistas são fatores que estimulam indiretamente a prática.

Em outros cinco estabelecimentos, há reclamações semelhantes. No Posto Almenara, no Núcleo Bandeirante, o cientista de dados Gabriel Gomes, 21, contou que, após perceber a inconsistência, questionou se o combustível colocado era de fato o correto. “O frentista disse que ‘sim’ e só ficou desconcertado quando viu que eu havia checado. A situação se repetiu em outra ocasião, quando estava de carona com um amigo. Não volto mais lá”, garantiu.

No Auto Posto Ribeiro, no Pistão Sul, em Taguatinga, uma consumidora que pediu para não ser identificada disse ter sido vítima do golpe duas vezes. Na segunda, questionou. “A frentista disse que era porque não tinha sido dado meu desconto. Na nota fiscal está especificado o abastecimento com aditivada, e a diferença – que eu não paguei – ficou como se eu tivesse dado no dinheiro, para não dar divergência.”

Em posse de outra denúncia formalizada no Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) de que a mesma situação estaria acontecendo no posto da 109 Norte, a reportagem abasteceu no local e gravou o atendimento. O golpe foi aplicado e o frentista argumentou que a gasolina comum havia acabado e que ele se esqueceu de avisar. No entanto, mais uma cliente chegou ao local, e a ela foi anunciado o preço do combustível – que, segundo o atendente, estaria em falta.

Com adaptações: Alexandre Torres

Guará News

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