PCC montou casas de apoio no DF com ajuda de advogados, diz PCDF

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email

PCC montou casas de apoio no DF com ajuda de advogados, diz PCDF

Imóveis serviam de base para guardar drogas, armas e receber os novos faccionados que vinham de outros estados

Divulgação

DIVULGAÇÃO

nvestigação da Polícia Civil do DF descobriu a existência de “casa de apoio” mantida por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal. O imóvel era alugado e servia de base para guardar drogas, armas e receber os novos faccionados que vinham de outros estados. Durante megoperação deflagrada nesta terça-feira (07/01/2020), batizada de Guardiã 61, foram apreendidos pistolas taser, livros, anabolizantes, celulares e documentos em endereços vinculados ao grupo (veja vídeo abaixo).

Investigadores da Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac) identificaram a presença de três advogados do DF na facção criminosa. Dois deles foram alvo de mandados de busca e apreensão. Na casa de um advogado, os policiais encontraram documentos chamados de “cara-crachá”, folhas de inscrições contendo informações pessoais dos integrantes da facção.

Os profissionais também realizaram uma série de pesquisa e sondagens de imóveis no Lago Sul, Lago Norte e Jardim Botânico para montar as “casas de apoio”. Segundo o delegado-chefe da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor), Leonardo de Castro.

A polícia localizou o contrato de uma casa em Taguatinga e alugada por um advogado. O imóvel ficou ocupado pela facção por quatro meses durante o ano passado. “A vinda da cúpula para o DF fortaleceu e deixou os faccionados mais organizados em Brasília”, ressaltou o delegado-chefe da Difac, Guilherme Sousa Melo.

Reprodução/PCDF

Segundo os investigadores, célula da organização criminosa era composta por ao menos 30 integrantes e atuava praticando crimes como roubos e tráfico de drogas. O grupo se dividia em núcleos específicos de atuação. Parte se dedicava às práticas criminosas e a outra tentava estabelecer condições para o desenvolvimento e a consolidação do grupo na capital federal, uma vez que a alta cúpula da facção está presa no Presídio Federal de Brasília.

Ao longo de um ano de investigação, foram identificados integrantes distribuídos estrategicamente em setores de atuação, com o auxílio de advogados, presidiários e criminosos egressos do sistema prisional, os quais praticam o tráfico de drogas e armas, roubos e ameaças a autoridades.

A PCDF teve acesso a bilhetes com ameaças a uma magistrada do DF. “Essa ameaça comprova a existência da facção no Distrito Federal e, inclusive, a presença dos chamados “gravatas”, advogados responsáveis por transmitir as ordens de dentro para fora dos presídios”, explicitou o delegado-chefe da Difac, Guilherme Sousa Melo.

Com o decorrer das apurações, até mesmo os investigadores entraram na mira dos criminosos. Delegados envolvidos na operação tiveram fotos divulgadas entre os faccionados e recebeu ameaças.

Operação

Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, 10 de busca e apreensão, além da colocação de tornozeleira eletrônica em um dos alvos, conforme ordens expedidas pela da 5ª vara criminal do DF.

A ação tem apoio do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe), do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e conta com a participação de 120 policiais. Os investigados estão sujeitos a penas de três a oito anos por promover, constituir e integrar organização criminosa.

De acordo com a Difac, divisão da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor), a estrutura da organização formava uma intricada rede de atividades criminosas, com a participação de indivíduos radicados em presídios de Presidente Venceslau (SP), Piraquara (PR) e Uberaba (MG). Tais ações seriam impulsionadas pela presença de lideranças do PCC no Presídio Federal de Brasília

Plano de fuga

Em 20 de dezembro de 2019, Metrópoles revelou com exclusividade que os integrantes da organização planejam colocar em prática o plano de resgate do líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Condenado há mais de 300 anos de prisão, Marcola cumpre pena no Presídio Federal de Brasília. A unidade chegou a receber reforço de tropas do Exército.

As informações sobre o plano de resgate partiram de São Paulo. O estado é berço da facção criminosa. Marcola foi transferido para a capital federal em março de 2019 sob forte aparato policial.

Há indícios de que o suposto resgate estaria pago e seria feito pelo traficante internacional Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho. Ele é um dos principais nomes do PCC que está solto e atua nas ruas.

De acordo com informações, os criminosos estariam aguardando o aval de Fuminho para colocar o plano em prática. O PCC teria reunido um verdadeiro exército de alto nível e com criminosos que possuem conhecimento militar e de armamentos. A facção já teria mapeado os arredores do complexo penitenciário em Brasília com o uso de drones.

Você também pode querer ler