Ex-ministros que tiveram divergências com governo vão falar na CPI da pandemia hoje

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Os dois médicos puxam a fila das autoridades que serão ouvidas pela comissão. A dupla vai falar na condição de testemunha

 6:43

Adaptações: Alexandre Torres

Guará NewsNelson Teich e Mandetta durante posse no governo bolsonaro

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouvem, nesta terça-feira (4/5), os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. A dupla deixou o governo federal após discordar da postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

Os dois médicos puxam a fila das autoridades que serão ouvidas pela CPI, na condição de testemunha. Trata-se de uma estratégia adotada pelos senadores para evitar que os convocados permaneçam em silêncio ou se recusem a comparecer à oitiva.

Internamente, parlamentares da oposição demonstram grande expectativa com a fala de Mandetta, que era o ministro da Saúde quando a pandemia atingiu o Brasil. Os congressistas querem saber se eventuais erros cometidos no início do enfrentamento da crise sanitária acarretaram a explosão de casos registrados no país no último ano, com a situação agravada em 2021.

O foco das perguntas a Mandetta será a política de isolamento social que ele defendia, e o presidente Jair Bolsonaro não concordava. A utilização da hidroxicloroquina recomendada pelo Planalto como tratamento precoce da doença também é um assunto que integra o rol de questionamentos da oposição.

Há, no entanto, um temor da ala governista do colegiado de que Mandetta aproveite o seu tempo na comissão para “fazer campanha política” às eleições presidenciais de 2022. O ex-ministro da Saúde é filiado ao Democratas (DEM) e já declarou que estaria disposto a abandonar a sigla caso o partido opte por apoiar outro candidato no próximo ano.

Da mesma legenda do ex-ministro, mas considerado um parlamentar da base governista, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) dá o tom do que espera: que as perguntas se limitem à gestão de cada depoente. “Não cabe aqui analogia, não cabe aqui visão do que faria se lá estivesse neste novo cenário. O que nós queremos saber é o que fez, como fez e por que fez no momento em que esteve à frente da pasta da Saúde. Dizer que esses depoimentos podem trazer revelações surpreendentes é desconhecer como funciona o sistema público. Os atos são públicos”, assinalou.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que se declara “independente”, considera os depoimentos dos ex-ministros como algo positivo. “A expectativa é boa, vamos buscar as decisões da gestão da pandemia deles e o motivo de terem saído de forma precoce. Acho que esse encontro vai caminhar para elucidar algumas questões para nós. Temos muitas perguntas para fazer”, disse.

Há, no entanto, um temor da ala governista do colegiado de que Mandetta aproveite o seu tempo na comissão para “fazer campanha política” às eleições presidenciais de 2022. O ex-ministro da Saúde é filiado ao Democratas (DEM) e já declarou que estaria disposto a abandonar a sigla caso o partido opte por apoiar outro candidato no próximo ano.

Da mesma legenda do ex-ministro, mas considerado um parlamentar da base governista, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) dá o tom do que espera: que as perguntas se limitem à gestão de cada depoente. “Não cabe aqui analogia, não cabe aqui visão do que faria se lá estivesse neste novo cenário. O que nós queremos saber é o que fez, como fez e por que fez no momento em que esteve à frente da pasta da Saúde. Dizer que esses depoimentos podem trazer revelações surpreendentes é desconhecer como funciona o sistema público. Os atos são públicos”, assinalou.

Mandetta também será questionado sobre a baixa aplicação de testes para monitorar a evolução da Covid-19 no Brasil durante sua gestão. Após uma saída conturbada do governo federal, em 16 de abril de 2020, virou opositor declarado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Quando deixou a gestão da pasta, o Brasil registrava 1.924 mortes de brasileiros pela Covid-19.

Ainda nesta terça, os senadores irão ouvir, além de Mandetta, o oncologista Nelson Teich. Com rápida passagem no comando do Ministério da Saúde, que não durou um mês, Teich era contra a adoção de protocolos que defendem o uso de medicamentos sem eficácia comprovada no chamado “tratamento precoce” da Covid-19, defendido pelo presidente Bolsonaro.

“Não vou manchar a minha história por causa da cloroquina”, disse Teich ao se despedir do ministério.

O médico também discordou do presidente após publicação de decreto ampliando as atividades essenciais, autorizando salões de beleza, barbearia e academias a funcionarem no período de lockdown. Outro ponto de conflito entre o mandatário do país e o então ministro da Saúde foi a flexibilização de normas de isolamento social.

Dinâmica da sessão

Com início marcado para 10h, a sessão será aberta pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), que irá passar a palavra ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do colegiado e, por isso, “tem prioridade para iniciar as perguntas”.

Calheiros “dispõe do tempo que achar necessário” para questionar Mandetta e Teich. Os demais integrantes da comissão terão prazo de cinco minutos para fazer as perguntas, enquanto os ex-ministros terão o mesmo prazo para responder.

Haverá, ainda, outros três minutos para réplicas e três para tréplicas. A ordem das perguntas ocorrerá conforme inscrição. As informações foram fornecidas pela assessoria de imprensa de Omar Aziz.

A agenda da Comissão Parlamentar de Inquérito também inclui, na quarta (5/5), o depoimento do general Eduardo Pazuello. O atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, também devem comparecer, na quinta (6/5).

Os depoimentos, entretanto, podem ser adiados caso as oitivas de Mandetta e Teich se estendam além do programado.

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