Com ações de milícia, grileiros faziam toque de recolher no DF

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Com ações de milícia, grileiros faziam toque de recolher no DF

O grupo chegou a expulsar uma família a tiros do acampamento, além de constantemente atear fogo nos barracos de quem desacatasse as regras

PCDF/Divulgação
PCDF/DIVULGAÇÃO

O grupo que tomou o poder do acampamento M.A.T.R, localizado na região do Incra 9, em Ceilândia-DF, expulsou pelo menos sete famílias desde que assumiu o controle da área. Os criminosos estabeleceram regras próprias no assentamento, onde quem desacatasse era punido.

Alguns moradores relataram à polícia que, à noite, os criminosos costumavam andar pelo acampamento com facões intimidando quem estivesse no caminho. Quando escurecia, havia toque de recolher e as pessoas entravam para casa com medo.

Segundo a delegada Mariana Almeida, da Delegacia Especial de Combate à Corrupção Irregular do Solo e aos Crimes Contra a Ordem Urbanística e o Meio Ambiente (Dema), os bandidos expulsavam os moradores que não cumprissem as regras criadas por eles. Para os investigadores, as atitudes lembram características de milícias. “Desde que o assentamento foi formado, em 2016, sete famílias foram expulsas, sendo uma delas a tiros”, afirmou.

Ainda de acordo com a delegada, em vários outros casos, os criminosos incendiavam barracos para expulsar aqueles que discordavam das regras impostas. “A ação do bando era violenta. Eles incendiavam barracos e, inclusive, muitas pessoas tinham medo de prestar depoimento nas delegacias por temer retaliação”, ressaltou.

Além disso, um dos suspeitos, identificado como I.C.S., que está foragido, é acusado de matar um desafeto a facadas no dia 6 de dezembro deste ano, no próprio acampamento.

A operação contou com o apoio do Depate, por meio da Divisão de Operações Especiais (DOE) e da Divisão de Operações Aéreas (DOA) e também da 24ª Delegacia de Polícia.

Lavagem de dinheiro

Segundo diligências da Dema, os suspeitos estão envolvidos na constituição de diversos condomínios irregulares em todo o Distrito Federal. Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, parcelamento irregular do solo para fins urbanos, dano ambiental, incêndio, coação no curso do processo, disparo de arma de fogo, uso de documento falso, incêndio e lavagem de dinheiro.

Batizada de Beirute, a operação faz parte de uma série de ações que serão desencadeadas pela Dema neste fim de ano, época em que as ocupações irregulares, historicamente, tendem a aumentar.

“A gente pede que a população tenha a dimensão da gravidade desse crime. Porque não afeta apenas aqueles que estão envolvidos diretamente, mas todos, já que a ocupação desordenada traz problemas como a falta de captação de água, o que ocasiona enchentes, além da falta de saneamento básico”, ressaltou a delegada Mariana Almeida.

Adaptações: Alexandre Torres

Guará News

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