Home / Cidades / Justiça tarda mas não falha e determina bloqueio de R$ 28 milhões do ex-governador do DF Agnelo, do ex-vice Filippelli e outros quatro
Últimas Notícias

Justiça tarda mas não falha e determina bloqueio de R$ 28 milhões do ex-governador do DF Agnelo, do ex-vice Filippelli e outros quatro

Por G1 DF

 


Ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e ex-vice Tadeu Filippelli (PMDB) em imagem de arquivo, durante disputa eleitoral em 2010 — Foto: Givaldo Barbosa/Agência O GloboEx-governador Agnelo Queiroz (PT) e ex-vice Tadeu Filippelli (PMDB) em imagem de arquivo, durante disputa eleitoral em 2010 — Foto: Givaldo Barbosa/Agência O Globo

Ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e ex-vice Tadeu Filippelli (PMDB) em imagem de arquivo, durante disputa eleitoral em 2010 — Foto: Givaldo Barbosa/Agência O Globo

O juiz federal Eduardo Rocha Penteado determinou o bloqueio de bens do ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) e do ex-vice-governador Tadeu Fillipelli (MDB) por participação em um suposto esquema de corrupção na construção do BRT Sul.

Além deles, também devem ter bens bloqueados Jorge Luiz Salomão e Afrânio Roberto de Souza, que seriam operadores de Agnelo e Filippelli, respectivamente. A ordem vale ainda para Fernando Queiroz e a construtora Via Engenharia, e para José Abdon Bucar Neto e sua empresa AB Produções de Vídeo, que teriam participado do esquema. Ao todo, os bloqueios passam de R$ 28 milhões.

A decisão é liminar – temporária. A reportagem tenta contato com as defesas dos envolvidos. Desde o surgimento da denúncia, eles negam as acusações.

Bloqueio de bens

A decisão é resultado de um processo de improbidade administrativa movido pelo Ministério Público Federal (MPF) contra os envolvidos. O juiz determinou o bloqueio dos seguintes valores que teriam sido recebidos irregularmente:

  • Agnelo Queiroz e Jorge Salomão – R$ 10.237.499,68;
  • Tadeu Filippelli e Afrânio Roberto de Souza – R$ 10.237.499,68;
  • Via Engenharia e Fernando Queiroz – R$ 6.364.999,74;
  • AB Produções, José Abdon Bucar Neto e Tadeu Filippelli – R$ 1.685.000,00.

Segundo a determinação, o objetivo é garantir a reparação dos danos aos cofres públicos caso eles sejam condenados.

As acusações

Passageiro embarca em ônibus do BRT Sul, em Brasília — Foto: Gabriel Jabur/GDF/DivulgaçãoPassageiro embarca em ônibus do BRT Sul, em Brasília — Foto: Gabriel Jabur/GDF/Divulgação

Passageiro embarca em ônibus do BRT Sul, em Brasília — Foto: Gabriel Jabur/GDF/Divulgação

O grupo é acusado de exigir propina para favorecer empresas na construção de diversas obras públicas na capital, inclusive o BRT Sul e o Estádio Nacional Mané Garrincha. O esquema foi alvo da Operação Panatenaico, fase da Lava Jato deflagrada pela Polícia Federal em 2016.

As investigações tiveram início após a delação premiada de executivos das empreiteiras Andrade Gutierrez e Odebrecht. Segundo as acusações, o esquema teria começado em 2006, ainda no governo de José Roberto Arruda.

Junto com o então Secretário de Obras, Márcio Machado, o ex-chefe do Executivo local teria coordenado um conluio para que construtoras fossem beneficiadas com contratos para obras públicas. Em troca, deveriam repassar aos políticos, como propina, parte dos valores recebidos.

Segundo o MPF, para a obra do BRT-Sul, foram selecionadas as empresas Andrade Gutierrez, Via Engenharia e OAS. O Tribunal de Contas do DF, no entanto, suspendeu as obras, o que impediu a realização durante o mandato de Arruda.

Propina na campanha

Ex-governador do DF, Agnelo Queiroz — Foto: TV Globo/ReproduçãoEx-governador do DF, Agnelo Queiroz — Foto: TV Globo/Reprodução

Ex-governador do DF, Agnelo Queiroz — Foto: TV Globo/Reprodução

Na campanha eleitoral seguinte, o então candidato Agnelo Queiroz e o vice Filippelli teriam pedido R$ 500 mil em propina a cada turno eleitoral “como forma de sinalizar que, caso eleitos, continuariam as obras e o esquema de repasse de valores”.

O MPF afirma que a oferta se concretizou e que a obra seguiu adiante com o pagamento de 2% para Agnelo e 2% para Filippelli. Os pagamentos teriam sido feitos por meio dos supostos operadores dos políticos, Jorge Luiz Salomão e Afrânio Roberto de Souza.

Parte da propina de Filippelli teria sido repassada para o partido dele, o MDB, por meio de um contrato falso com a produtora de vídeos AB Produções, de José Abdon Bucar Neto.

Segundo o MPF, apesar de terem participado do esquema, as outras construtoras citadas na acusação fecharam acordos de delação premiada e não foram incluídas na ação.

Outros bloqueios

Em maio de 2017, a Justiça Federal no DF já havia determinado o bloqueio de R$ 26 milhões de Agnelo, Filippelli e José Roberto Arruda. À época, eles também foram presos por participação no esquema de corrupção.

Adaptações: Alexandre Torres

Guará News

Notícias Relacionadas

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicadoCampos obrigatórios estão marcados *

*