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Impedidos de reabrir, restaurantes do DF amargam prejuízo de R$ 750 milhões

Impedidos de reabrir, restaurantes do DF amargam prejuízo de R$ 750 milhões

GDF tenta, na Justiça, liberar retomada de atividades suspensas na pandemia. Setor planeja como oferecer segurança e recuperar movimento

fachada de bar
RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES
A decisão judicial que impediu o Governo do Distrito Federal de liberar a retomada de mais atividades suspensas pela pandemia do novo coronavírus frustou os planos de donos e funcionários de bares e restaurantes da capital. Após conversas animadoras com o governador Ibaneis Rocha (MDB), a expectativa do setor era de que fosse anunciada ainda nesta semana uma data para a volta dos negócios: a previsão era de que eles estariam de portas abertas entre 25 de junho e, no máximo, 1º de julho. Agora, terão que esperar a apreciação de recurso apresentado contra a liminar pela Procuradoria Geral do DF nessa segunda-feira (22/06).

Conforme carta de repúdio assinada por 28 entidades do setor produtivo contra a decisão judicial, divulgada pela coluna Grande Angular, do Metrópoles, o segmento de bares e restaurantes foi o mais prejudicado pela suspensão das atividades. Segundo o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar-DF), 20% dos estabelecimentos do DF não resistiram os três meses sem abrir as portas e já fecharam definitivamente, causando a demissão de 30 mil trabalhadores e um prejuízo de R$ 750 milhões. Caso as atividades fiquem suspensas por mais tempo, estimam, o rombo chegará a R$ 1,8 bilhão.

A situação é dramática para quem ainda conseguiu se manter nos últimos 100 dias sem receber clientes. Na expectativa de o GDF reverter a proibição, empresários do setor fazem planos para o retorno. É o caso de Ricardo Luz, 35 anos, dono do Good Fellas Cinebar, em Taguatinga.

Apesar de achar ainda arriscado uma reabertura com números de infectados e mortos pelo novo coronavírus aumentando, ele diz que a necessidade de pagar as dívidas fala mais alto. “Já estou devendo cerca de R$ 40 mil para fornecedores, conta de luz e alguns funcionários também”, lamenta.

Segundo ele, o bar foi pego de surpresa com a necessidade do fechamento. Sem um delivery estruturado, Ricardo até tentou oferecer cervejas especiais e chopp artesanal pela internet, mas os pedidos foram poucos. “A gente não tinha essa experiência. Os aplicativos estavam tomando uma parte grande do que a gente vendia e, como nossos produtos são um pouco mais caros que a cerveja comum, muitos preferiram economizar nesse momento”, explica.

Negociando as dívidas

Para conseguir manter o bar vivo, foram várias as negociações. Ele conseguiu redução de 85% no valor do aluguel da loja e os contratos de trabalho dos funcionários foram suspensos. Com praticamente nenhum faturamento, Ricardo precisou transformar o hobby em profissão. “Minha saída foi a marcenaria. Tenho feito sob encomenda qualquer tipo de móvel que as pessoas precisam”, diz.

Com a possibilidade da volta, o bar ainda vai sofrer o baque de não poder contar com o carro-chefe da casa: a sala de cinema. “Vamos ter que deixar fechado. Ainda tenho outras três TVs, talvez consiga puxar uma para o lado de fora e passar os filmes assim”, avalia.

Outra mudança precisará ocorrer na maneira de dispor as mesas. Ao invés de ter a maioria dos consumidores dentro do bar, a ideia é aproveitar o espaço externa.

Outro tipo de estabelecimento que sofrerá grande mudança com a nova realidade é o popular self-service. Com a comida exposta e colheres únicos para todas as pessoas que se servem, a modalidade precisará inovar. Restaurantes que convivem com as opções de cardápio e buffet, como o El Paso e Haná, já anunciaram que vão abolir a alternativa de o próprio cliente se servir neste primeiro momento.

Mas várias casas vão adaptar os serviços. No Serpentina Zero Grau, conhecido pelo almoço por quilo, a ideia é mostrar para o cliente quais são as opções e o funcionário do restaurante servirá o prato. “Já estamos funcionando assim com as marmitas. A pessoa fica do lado de fora e é o atendente que tem contato com a comida e a carne”, explica Jair Gasparin, dono da rede.

Com a novidade, o movimento não parou completamente, mas Jair afirma que o faturamento não chega nem perto do que era antes. “Caiu cerca de 95%, o que não paga nem o desconto que me deram no aluguel. Tive que demitir 40% dos meus funcionários e suspender o contrato de outros 30%”, conta.

Outro agravante foi a inauguração, no final do ano passado, de uma nova unidade no Núcleo Bandeirante. Todas as economias foram gastas ali e, sem capital de giro, Jair precisou recorrer a empréstimos. “A gente espera que a retomada normalize as coisas aos poucos e a gente volte ao que era”, ressalta.

Em todo DF estabelecimentos da área de gastronomia e entretenimento sofrem como um dos segmentos que mais estão expostos aos critérios de restrições ao comércio, alguma medida urgente tem que ser realizada.

Os métodos de prevenções e de atendimento podem ser efetivados sem aglomerações e evitando o contágio em ambientes fechados, haja visto meios de transporte aonde se acumulam pessoas em ônibus, metrô e paradas de coletivos entre outros locais como bancos e lotéricas, vamos ficar atentos.

Adaptações; Alexandre Torres

Guará News

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