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Dia das Mães: moradores do DF aderem a homenagens virtuais durante pandemia

Por Milena Castro*, G1 DF

 


Médico Rodolfo ao lado da tia, Rose Mary; da avó, Eunice Cardoso (centro) e da mãe, Maria Elizabeth — Foto: Arquivo pessoalMédico Rodolfo ao lado da tia, Rose Mary; da avó, Eunice Cardoso (centro) e da mãe, Maria Elizabeth — Foto: Arquivo pessoal

Médico Rodolfo ao lado da tia, Rose Mary; da avó, Eunice Cardoso (centro) e da mãe, Maria Elizabeth — Foto: Arquivo pessoal

Por causa da pandemia do novo coronavírus, o Dia das Mães – celebrado neste domingo (10) – será diferente. Em vez de abraços e família reunida ao redor da mesa para comemorar, alguns moradores do Distrito Federal farão encontros virtuais.

Na casa do médico anestesista Rodolfo Luciano Cecílio Filho, de 32 anos, a tecnologia será o “elo de afeto”. Ele atua em Brasília e trabalha com a intubação de pacientes com Covid-19 no Hospital das Forças Armadas (HFA). Ao todo, 530 km de distância separam ele das “mães de coração”, que vivem em Uberaba (MG).

Cumprindo o isolamento social, o domingo da família será marcado por uma ligação. “Vamos ligar, reunir todo mundo por vídeo, e eu vou tentar mandar um presente para essas ‘véias’ darem uma risada”, brinca Rodolfo ao se referir à mãe e também à tia e à avó.

G1 também conversou com outras cinco famílias para saber como será a comemoração da data durante esse período. Os filhos que estão longe – na Rússia, Portugal e Finlândia – mandaram mensagens para as mães nesta data (confira mais abaixo).

Entre o trabalho e a saudade

Para Rodolfo, o período de isolamento social tem sido “uma mistura de emoções”. Ele conta que, se por um lado tem a saudade da família, do outro, se sente bem fazendo um trabalho que ajuda as pessoas.

“Eu sou militar, então, nem sempre eu conseguia folga para ir lá vê-las, mas essa data, em especial, vai ser um pouquinho mais doída porque estamos um bom tempo distante”, diz.

“O que me ajuda a diminuir a dor da saudade de casa é poder trabalhar.”

O médico diz ainda que o sentimento de falta permanece, já que “é difícil de preencher com vídeo”. “A gente diminui, mas não consegue substituir o abraço, o cheirinho né?”. Apesar da distância imposta pela pandemia, segundo ele, contar com a compreensão da família ajuda.

A mãe de Rodolfo, Maria Elizabeth de Faria, de 54 anos, é compreensiva e entende o momento do filho. “A gente vai estar junto com ele da forma que nós pudermos fazer nessa quarentena”, disse.

‘Ser mãe é um desafio que vale a pena’

Chamada de vídeo para aniversário virtual de Sandra Andrade; em imagem de arquivo — Foto: ReproduçãoChamada de vídeo para aniversário virtual de Sandra Andrade; em imagem de arquivo — Foto: Reprodução

Chamada de vídeo para aniversário virtual de Sandra Andrade; em imagem de arquivo — Foto: Reprodução

Já na casa da psicóloga Sandra Andrade, de 59 anos, os filhos pretendem fazer uma comemoração por chamada de vídeo. Assim como foi no aniversário da matriarca neste ano, os presentes serão enviados por entrega a domicílio.

Ela mora na Asa Sul, a duas quadras de distância de um dos filhos, no entanto, a visita neste ano está suspensa, já que Sandra faz parte do grupo de risco – tem diabetes e hipertensão.

“O lema da nossa família é ‘a festa continua’. Então, a festa vai continuar de algum jeito”, afirmou o caçula, Pedro Andrade, de 29 anos.

À reportagem, Sandra disse achar estranho o novo estilo de comemoração, mas afirma que é preciso se adaptar à realidade.

“O importante é celebrarmos e estarmos juntos, mesmo distantes.”

Ao falar sobre a maternidade, a moradora do DF afirma que “ser mãe é um desafio que vale a pena ser vivido” e conta que está disposta a enfrentar a nova situação, de isolamento e cuidados redobrados.

O filho mais velho, Lucas Andrade, de 34 anos, explica que por respeito à quarentena, o abraço ficará guardado para o próximo ano. Ele vive no Novo Gama, no Entorno do DF, e também optou por não visitar a mãe.

Da Rússia para o Brasil

Gabriel Caetano, de 22 anos, ao lado da mãe, Jaciara Caetano — Foto: Arquivo pessoalGabriel Caetano, de 22 anos, ao lado da mãe, Jaciara Caetano — Foto: Arquivo pessoal

Gabriel Caetano, de 22 anos, ao lado da mãe, Jaciara Caetano — Foto: Arquivo pessoal

Morando na Rússia para um intercâmbio, e sem poder voltar, o estudante da Universidade de Brasília (UnB) Gabriel Caetano Moreira, de 22 anos, vai passar o primeiro Dia das Mães longe de casa.

Para amenizar a saudade, o plano para este domingo é participar de uma ligação de vídeo pela internet com a família. “Eles [o pai e o irmão] prometeram levar o café na cama e tratar nossa mãe como a rainha que ela é”, diz.

Em Moscou, com aeroportos fechados, Gabriel contou que a embaixada do Brasil ofereceu um voo de repatriação, mas ao custo de R$ 5 mil.

“Eu não tinha condições de comprar a passagem”, disse. “Aparentemente, eles fretaram um avião russo e estavam cobrando esse valor altíssimo para tirar as pessoas daqui.”

Sobre a vida no país, Gabriel explica que a quarentena “está sendo rigorosa” e que o isolamento social foi determinado até o fim de maio. “Estamos nas semanas de pico, o uso de máscaras e luvas já se faz obrigatório, assim como as autorizações para usar os meios de transporte”.

Em homenagem à mãe, mesmo longe, ele fala sobre a falta que ela faz. “Hoje, nesse Dia das Mães, tudo que eu consigo sentir é saudade do seu abraço, do seu cafuné, do seu jeitinho único e especial”, escreveu. “Nós dois sabemos que uma mera videochamada não consegue suprir nem 1% da saudade que eu sinto, mas, infelizmente, é o que conseguimos fazer no momento”.

“Nesta data tão inusitada, no meio da pandemia temos que nos apegar a algo; e você, mãe, é meu porto seguro.”

A um oceano de distância

Maria Valente, ao lado da mãe e da avó, em Portugal; em imagem de arquivo — Foto: Arquivo pessoal

Maria Valente, ao lado da mãe e da avó, em Portugal; em imagem de arquivo — Foto: Arquivo pessoal

Do outro lado do oceano, a brasiliense Maria Valente, de 27 anos, que mora em Portugal, conta que o plano era receber a visita da família para comemorar o aniversário de 95 anos da avó, além de celebrar o Dia das Mães, neste mês.

Agora, por causa da pandemia do novo coronavírus, a viagem foi adiada. “Infelizmente, mesmo com tudo combinado, o mundo descombinou nosso encontro”, disse Maria em uma mensagem escrita para a mãe e a avó, que já estavam de passagens compradas para a Europa.

Sem poder viajar para o tão esperado reencontro, as comemorações serão por vídeo. Os planos, em Portugal, é reunir parte da família que já vive no país e os amigos em uma carreata, neste domingo (10), para comemorar a data. Do Brasil, mãe e avó – as homenageadas da vez – vão assistir tudo pela internet.

“Dia das mães para mim são minha mãe e avó.”

Homenagens virtuais

Também em intercâmbio, na cidade de Braga, em Portugal, a estudante de psicologia Mariana Cristina Abreu, de 22 anos, vive o mesmo dilema de passar a data longe da família. “Esse é meu primeiro Dia das Mães longe, e é muito estranho”, conta.

país registra 19.022 casos confirmados de Covid-19 e 657 mortes, de acordo com o último balanço oficial. Apesar dos números, a estudante brasileira preferiu ficar em Portugal por achar que “as coisas estão menos piores que no Brasil”, disse.

Além disso, ela afirma enxergar as oportunidades em meio ao caos. “Esse ano, a tecnologia se tornou a principal aliada para superar a distância”.

“Fico feliz que atualmente possamos contar com a tecnologia para nos aproximar. Falo com ela [mãe] por vídeo quase todos os dias, e no domingo com certeza faremos isso também.”

Distância de 10,6 mil km

A mais de 10,6 mil quilômetros de distância, a estudante de biotecnologia Renata Cauê, de 21 anos, recorreu ao vídeo para gravar uma homenagem para a mãe, Fabiana da Silva, de 53 anos. A iniciativa foi o meio encontrado por ela para celebrar a data.

Morando em Tampere, na Finlândia, desde dezembro, a estudante disse que, apesar de já ter passado a data longe, essa é primeira vez que fica “tanto tempo” sem ver a família.

“Domingo geralmente minha irmã me liga com minha mãe na hora do almoço, porque sempre foi um dia em que sentamos a mesa juntas pra comer. Por ser uma data especial, o almoço vai ser especial e quero estar na mesa com elas, mesmo que por telefone”, explica.

*Sob supervisão de Maria Helena Martinho

Adaptações: Alexandre Torres

Guará News

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