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Aulas a distância na rede pública do DF têm avisos por carro de som e internet compartilhada entre vizinhos

Por Carolina Cruz, G1 DF

Uma semana após a volta às aulas na rede pública do Distrito Federal – desta vez, a distância – gestores e pais relatam problemas com o modelo de ensino online. As dificuldades vão desde a falta de contato entre a escola e os responsáveis até impasses no acesso à internet entre quem tenta se comunicar.

As aulas foram retomadas em 22 de junho, em fase de testes. A aferição da frequência começaria nesta segunda-feira (29), mas foi adiada para 13 de julho, para mais tempo de adaptação à comunidade escolar (saiba mais abaixo).

Na Estrutural, a diretora do Centro Educacional 1 (CED1), Estela Accioly, percebeu dificuldades logo que a data do retorno das aulas foi anunciada, quando precisou entrar em contato com os pais. Ela afirma que parte dos responsáveis pelos 1,2 mil estudantes da unidade não atenderam às ligações da escola.

“Nós decidimos usar um carro de som nas ruas da Estrutural. Foi muito bom porque temos outras escolas na região e muitos pais nos procuraram afirmando que ficaram sabendo do retorno das aulas por causa do comunicado”.

O carro percorreu a região na última semana (veja no vídeo acima). Contudo, Estela conta que ainda não conseguiu contato com cerca de 250 pais.

Centro Educacional 01, da Estrutural, no Distrito Federal — Foto: Renato Alves / Agência Brasília.

Centro Educacional 01, da Estrutural, no Distrito Federal — Foto: Renato Alves / Agência Brasília.

Além do esforço na comunicação, a escola está arrecadando eletrônicos como celulares, tablets e computadores para doar aos estudantes.

“Cerca de 200 famílias disseram que precisavam dos aparelhos. Nós conseguimos ajudar muitos, mas ainda faltam 142.”

Os alunos sem conexão à rede recebem material impresso, uma vez por semana. Para Estela, apesar desta solução, “é importante que o aluno tenha o acesso à internet”. “Na aula online, ele tem o contato com o professor e ainda evita que os pais tenham que sair para buscar o material”, afirma.

Compartilhando wifi

Centro de Ensino Fundamental 28 na Ceilândia, no Distrito Federal  — Foto: Google Maps/Reprodução

Centro de Ensino Fundamental 28 na Ceilândia, no Distrito Federal — Foto: Google Maps/Reprodução

No Sol Nascente, a catadora de recicláveis Edilene Alves Dourado Anselmo, de 35 anos, conta que ficou sabendo do retorno das aulas pelos jornais. “Nós que corremos atrás”, disse. Segundo ela, a escola de uma das filhas, de 14 anos, apenas mandou um e-mail.

A mãe afirma que a instituição onde estuda a filha caçula, de 12 anos, sequer entrou em contato. “Eu precisei ir até a escola”, afirmou.

As crianças precisam cadastrar um e-mail para ter acesso a um código e acessar a plataforma Google Sala de Aula, onde as atividades estão sendo realizadas. Na casa de Edilene, o acesso é feito pelo celular, compartilhando o sinal de internet da casa vizinha, onde a sogra mora.

“O meu filho precisa pegar o telefone do pai. Só acessa se ele estiver em casa”, disse.

Edilene e o marido trabalham de forma independente, sem ligação com cooperativas. Ela afirma que, durante a pandemia, o casal paga as contas com ajuda do auxílio emergencial de R$ 600 do governo federal. Também recebem cestas básicas de uma associação da região.

Com ensino médio incompleto, Edilene relata dificuldades para ajudar os filhos. “Nunca será a mesma coisa a gente ajudando, se comparar com os professores”, disse.

Além dos desafios no ensino, ela relata problemas com a plataforma utilizada nas aulas. “Tem hora que não conseguimos enviar as atividades, não sabemos por qual motivo, e não tem ninguém para ajudar”, disse.

Um celular para três

Maria Aparecida Carvalho Soto, de 52 anos, cuida de três netos enquanto a filha passa o dia no trabalho. A família mora com ela em uma casa no Sol Nascente. Com idades de cinco, nove e 11 anos, todos dividem o mesmo celular, o da avó.

Ela conta que a renda da família é de R$1,5 mil por mês e, com as três crianças, não é suficiente para comprar os equipamentos. O sustento da casa vem de um bazar de roupas e reciclagem.

“Não dá para todo mundo usar. Eu busco o material na escola”, conta.

Segundo Maria Aparecida, houve fila para buscar o kit de atividades entregue na escola dos netos. Enquanto tenta manter as atividades impressas, ela busca conseguir equipamentos por meio de uma campanha organizada pela Associação Despertar Sabedoria, que auxilia famílias do Sol Nascente (saiba como ajudar abaixo).

Laura, de cinco anos, neta de Maria Francisca, mostra atividade escolar feita em casa, no Sol Nascente (DF), durante aula a distância — Foto: Arquivo pessoal

Laura, de cinco anos, neta de Maria Francisca, mostra atividade escolar feita em casa, no Sol Nascente (DF), durante aula a distância — Foto: Arquivo pessoal

“As atividades funcionam, mas não é a mesma coisa. É bom quando o aluno tem o contato com o professor, quando pode tirar a dúvida com ele, né?”, afirma.

Campanhas de eletrônico

Gestores escolares e instituições têm feito campanhas para arrecadar equipamentos como celulares, tablets e computadores para famílias de baixa renda. Eles também aceitam doações e alimentos não perecíveis para montar cestas básicas. Veja os contatos abaixo:

  • CED 01 da Estrutural: (61) 9 8544-4707
  • Associação Despertar Sabedoria: (61) 9 8585-9130 // (61) 3461-5611

Adiamento da chamada

A Secretaria de Educação do Distrito Federal ampliou o período de acolhimento dos estudantes da rede pública e, com isso, o controle de presença nas aulas será feito a partir do dia 13 de julho. Até lá, a frequência e a participação nas atividades não serão contabilizadas.

De acordo com o coordenador do programa de ensino a distância da rede pública, David Nogueira, na próxima semana será lançado um aplicativo, desenvolvido em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), para possibilitar o acesso dos estudantes sem internet, por meio de um telefone com chip ativo no celular.

Adaptações: Alexandre Torres

Guará News

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